Temos a Solução Ideal para a Crise: A crise que vivemos não é somente ambiental; é também filosófica e no nosso sistema consumista:
CRISE DO SISTEMA |
CRISE FILOSÓFICA |
CRISE AMBIENTAL |
80% urbano, renda concentrada, empobrecimento (65% quase pobre, pobre ou miserável)
Itens de Sobrevivência caríssimos (+-10X o preço de custo)
Reciclagem menor que 5% - destruição de recursos – poluição |
Paradigma destrutivo ultrapassado: produzir, locomover-se, consumir e descartar - O “ter” ao invés do “ser” – só 1% mobilizados para recuperar a natureza – só 5% interessados em Meio Ambiente – Mídia e Educação controladas, dirigidas 99% para o consumismo e crescimento distorcido |
Destruição da Flora e da Fauna - Contaminação e Poluição da Água, da Terra e do Ar - Poluições magnética e radiométrica - Alimentos contaminados, envenenados, transgênicos, pobres em oligoelementos – Esgotamento de Recursos Renováveis e não Renováveis – Monocultura, Desertos verdes. Pragas, Agrotóxicos, Adubação Química, Pecuária - Alterações no Clima - Lixos: Tóxicos, não degradáveis, mutantes - Crise da Água – etc. |
A auto-sustentabilidade, através dos CAS, é a melhor saída para a sobrevivência, devido aos seguintes problemas inerentes ao atual sistema econômico-social:
Falta de Controle sobre Itens Necessários à Sobrevivência: O habitante da cidade perdeu o gerenciamento objetivo e o poder de decisão sobre os itens básicos para sua sobrevivência. A comida está cara e envenenada, a água cara e contaminada, quase todos os rios poluídos, a convivência social comprometida, a pobreza, a ignorância, o individualismo, etc.
Alimentos: Legumes, verduras e frutas contaminados com pesticidas e agrotóxicos em sua maioria. Laticínios com hormônios, conservantes, antioxidantes, etc. Qualidade comprometida pela contaminação devido à falta de saneamento (água contaminada por esgoto no cultivo) e pelo sistema de cultivo com uso exclusivo de adubos químicos que não repõem os oligoelementos do solo. A sociedade, por mais que tente, até hoje não conseguiu mudar esta situação. A eterna e perniciosa ação dos atravessadores no processo de abastecimento de alimentos nas cidades encarece-os de forma aviltante e compromete sua qualidade. Chega-se a pagar 10 vezes o preço de custo de um produto.
Água: Recuperada de rios poluídos por esgotos e efluentes não tratados, é tratada com cloro e flúor, que afeta os neurônios de forma destrutiva, etc. Seu preço é altíssimo, como se a água não viesse de graça da natureza e como se os processos de tratamento e de distribuição fossem os mais dispendiosos do mundo. Podemos nos perguntar: Como a água nos EUA pode ser mais barata que no Brasil? Lá a estrutura de distribuição é muito mais complexa pois as cidades são espalhadas e as baixas temperaturas exigem estruturas especiais e caras.
Sistema Compromete a Sobrevivência: O sistema econômico-social atual não consegue garantir a sobrevivência estável e adequada a todas as pessoas que habitam centros urbanos, o que gera tensões nas classes mais abastadas e transforma as classes menos favorecidas em favelados.
A auto-sustentabilidade é necessária devido aos seguintes fatores:
1- A preservação do meio ambiente, essencial à sobrevivência, é praticamente esquecida nos centros urbanos, onde habita 80% da população, e onde há uma ausência quase total de matas nativas e os rios são poluídos. Ex:Tietê, Guaíba, Paraíba do Sul, etc.
2- O atual avanço da tecnologia alternativa permite atingir altos níveis de produção a partir de áreas de terra menores, o que viabiliza organizações eficientes voltadas para a auto-sustentabilidade.
3- O aparente esgotamento de soluções compatíveis para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes urbanos força a busca por alternativas mais viáveis.
4- As pessoas mais esclarecidas, residentes nos centro urbanos ou não, buscam uma vida mais saudável, envolvendo o maior contato com a natureza e a necessidade de consumo de água e alimentos mais puros.
5- Os aspectos políticos e econômicos atuais, o sistema econômico, a carga tributária, o desemprego, etc., ameaçam constantemente a estabilidade de vida de todos, principalmente dos habitantes urbanos.
6- O aumento da ignorância das crianças, que não são educadas para a vida. Muitas crianças urbanas crescem sem conhecer, nem mesmo superficialmente, os processos da natureza.
7- O preço pago pela sociedade, devido às ações de cartéis que dominam parte do processo produtivo, é muito alto.
8- O sistema de previdência não garante a sobrevivência e nem atividades ao desempregado e/ou idoso.
9- O habitante urbano depende exclusivamente do dinheiro para tudo aquilo de que necessita; a relação custo / benefício dos itens básicos de sobrevivência está muito alta (alto custo, baixo benefício) e grande parte da população é sub-remunerada. Hoje, o custo para se sobreviver na cidade é muito mais alto do que antes da migração rural. Só este motivo já justifica o investimento em auto-sustentabilidade.
10- As necessidades são diferentes para as diversas classes sociais. Os grupos sociais se formam de acordo com suas afinidades e condições de sobrevivência.
11- As pessoas desempregadas, sub-remuneradas e marginalizadas gastam todos os seus proventos nos itens básicos de sobrevivência, tornando-se, assim, sub-consumidores e criando condições potenciais para mais desemprego, menos atividade econômica, mais violência urbana, etc.
12- A intervenção perniciosa faz com que itens que a natureza nos fornece gratuitamente cheguem aos habitantes urbanos a preços muito elevados; ou seja, o ganho de alguns é excessivo, uma vez que altos valores são agregados a itens gratuitos (ex: o altíssimo preço da água “tratada” nas cidades).
13- A imensa sub-remuneração e a resposta profusa e generosa da natureza fazem com que os resultados de um sistema auto-sustentável comunitário sejam mais compensadores do que os benefícios dos próprios salários recebidos pelos trabalhadores urbanos.
14- A falta de cultura comunitária não permite que a população urbana carente se organize para a solução de seus problemas de sobrevivência.
15- A população urbana, já por diversas gerações, perdeu o vínculo com a auto-sustentabilidade devido aos costumes urbanos, à mídia, à educação mal orientada, etc. Mesmo nas habitações de áreas pobres com grandes terrenos baldios não se vê uma plantação. A geração de nossos avós fazia pomares, hortas, etc, o que não se vê mais.
16- Hoje temos a cultura do comodismo: perde-se horas e horas na frente da TV assimilando cultura inútil e mensagens subliminares destrutivas, sem que nada seja produzido. Antigamente, as pessoas aproveitavam melhor o tempo para plantar, criar, melhorar as condições de sobrevivência, etc. Havia mais união entre os membros das famílias no trabalho comunitário para se conseguir objetivos comuns.
17- Os programas sociais, geralmente voltados para outro lado, não incentivam a auto-sustentabilidade, devido à visão imediatista e desvirtuada das soluções ideais para os verdadeiros problemas sociais.
18- O “sistema” não organiza nem permite o acesso da população organizada às áreas habitáveis, facilitando a proliferação de favelas nas áreas metropolitanas. Não existe planejamento urbano adequado nem uma política específica para acabar com as favelas.
19- Somente 20% da população reside na zona rural, portanto, terra inaproveitada é o que mais sobra neste país. Uma área de 50 alqueires de terra não é muito grande e pode ser facilmente adquirida para se fazer um condomínio ecológico ou social.
20- A carga tributária incide sobre 40% do PIB (março/2006). O brasileiro trabalha 4 meses e 13 dias por ano somente para pagar impostos e mais 98 dias por ano para comprar serviços que deveriam ser fornecidos gratuitamente pelo Estado (educação, segurança, saúde, etc) conforme relatório do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. Na década de 70 as pessoas trabalhavam 2 meses e 16 dias para pagar tributos e mais 25 dias para a compra dos mesmos serviços.
O Brasil é um dos primeiros países do mundo em arrecadação de impostos e é apenas o 54º em retorno de benefícios. Por não se ter a nítida visão de onde é aplicado o imposto arrecadado, há uma tendência na população de sonegar impostos e um clima de permanente insatisfação e revolta; por exemplo: quando se trafega em estradas em condições precárias, ou quando se paga pedágios.
A Evolução da Pobreza e o Condomínio Auto-Sustentável como Solução Social.
A população do “terceiro mundo”, incluindo a do Brasil, está sendo levada à miséria por um sistema injusto que incentiva o abandono da zona rural, transforma toda uma sociedade em urbana e dependente somente do dinheiro para sobreviver e, ao mesmo tempo, concentra a renda nas mãos de poucos.
A sociedade urbana centraliza suas atividades principalmente nas atividades de mercado, sempre com a finalidade de conseguir dinheiro para a sobrevivência e para a qualidade de vida.
Os países ricos dominam os países pobres e as crises, por conseguinte, são características inerentes ao sistema: crise do estado como nação, crise das economias nacionais, crises sociais de todos os tipos, crises políticas, culturais e ambientais (intenso processo de contaminação e destruição dos recursos naturais).
O crescimento da economia não beneficiou igualmente todos os grupos, implicando um aumento no grau de desigualdade. Os grupos situados na parte inferior da distribuição se beneficiaram menos; à medida em que a renda aumenta os benefícios aumentam. É o sistema injusto que leva a uma grande concentração dos ganhos entre os 30% mais ricos.
Participação na Renda no Brasil - 1960-2000
Distribuição da Renda |
% Renda 1970 |
% Renda 1990 |
% Renda 2010* |
20% inferiores |
3,2 |
2,3 |
1,6 |
20% seguintes |
6,8 |
4,9 |
4,5 |
20% seguintes |
10,8 |
9,1 |
8,9 |
20% seguintes |
17,0 |
17,6 |
18,0 |
20% superiores |
52,2 |
66,1 |
67,0 |
* projeção - Fonte: Sebrae
A alta concentração da riqueza, da ciência e tecnologia e o domínio do dinheiro, transformado em objeto raro pelo sistema econômico internacional, sob forma de instituições tais como FMI, Banco Mundial, que emprestam dólares gastando somente papel e tinta ou créditos digitais, moldam o mundo atual com o seguinte perfil:
Alguns Dados Mundiais
1º) As 5 pessoas mais ricas do planeta, juntas, detêm ativos superiores ao produto bruto dos 50 países mais pobres, onde vivem mais de 600 milhões de pessoas.
2º) Os 360 maiores multimilionários possuem renda que ultrapassa o PIB dos países que, juntos, têm 2,5 bilhões de pessoas, ou seja, 45% da população mundial. Esses multimilionários aumentaram seus ativos em 150% no espaço de apenas quatro anos.
3º) Uma criança nascida em Nova York, Londres ou Paris tem um impacto 50 vezes mais forte sobre os recursos naturais do que uma criança nascida nos países mais pobres.
5º) Se pudéssemos reduzir a população mundial a uma aldeia de apenas 100 pessoas, mantendo as proporções de todos os povos existentes no mundo, apresentar-se-ia a seguinte situação:
6 pessoas possuiriam 59% das riquezas e as 6 seriam norte-americanas
80 viveriam em moradias não habitáveis.
70 seriam analfabetas
50 sofreriam de subnutrição
7º) No Brasil, a evolução no período 1995 a 1999 mostrou uma taxa de crescimento significativa da pobreza em todo o país de 1,2% ao ano. Nas áreas metropolitanas, a taxa foi ainda maior, apontando para um crescimento de 5% ao ano. A causa principal parece ter sido o crescimento do desemprego durante o plano de “estabilização” (Plano Real). Surpreendentemente o crescimento da pobreza se mostrou significativo nas áreas metropolitanas.
8º) O endividamento, a má distribuição da renda e da riqueza, a “dependência” do capital financeiro internacional, o alto índice de corrupção e a falta de uma proposta nacional são os grandes obstáculos para o processo de desenvolvimento e para a solução dos problemas econômico-sociais.
9º) O atual sistema econômico permite que somente 35% da população seja consumidora daquilo que não seja essencial para a sobrevivência, ou seja, 65% da população brasileira é consumidora somente dos itens básicos e está classificada nas categorias “quase pobres”, pobres e miseráveis.
10º) Os dados de 2004 indicam que, dos 6 bilhões de habitantes do mundo, 2,8 bilhões (quase a metade) vivem com menos de 2 dólares por dia e 1,2 bilhões (um quinto), com menos de 1 dólar por dia (Banco Mundial, 2005). Pior: o relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2000/2001 indicou que na América Latina, sul da Ásia e África abaixo do Saara, o número de pobres tem aumentado consideravelmente.
Pobres são as pessoas que não atingem a renda necessária para adquirir a cesta de alimentos mais os bens não alimentares básicos (moradia, transporte, etc).³
Alguns dados do perfil econômico/social do Brasil atual:
Os Incríveis Dados Nacionais
1º) Quase pobres (60 milhões = 34%): estão longe de ser uma espécie de “quase classe média”. São pessoas com baixo rendimento, geralmente assalariadas, e que conseguem subsistir com baixo padrão de consumo. Fonte: Sebrae
2º) Pobres (30 milhões = 17%): pessoas com nível de renda familiar e de consumo bastante insatisfatório e com carência de itens elementares ligados à própria subsistência.
3º) Miseráveis (24 milhões = 14%): pessoas na linha absoluta de pobreza ou indigência, com carências extremadas e dependentes de políticas sociais que lhes garantam a própria subsistência, congregando um número elevado de pessoas analfabetas ou semi-analfabetas.
4º) Aos 20% da população que compõem o segmento de maior renda cabem 65% da renda total, enquanto aos 50% de menor renda cabem apenas 12,5% desse total.
5º) Os 10% de maior renda recebem 30 vezes mais que os 40% de menor renda.
6º) Cerca de 80% da população vive em cidades e prevê-se que chegue a 89% até 2020. Esta população depende exclusivamente de dinheiro e/ou doações para sobreviver. Adquire (compra ou ganha) cerca de 99% dos itens de sobrevivência e obtém menos de 1% deles diretamente da natureza.
7º) O desemprego alcança o patamar de 18%; estudos das universidades prevêm que alcançará 30% em 4 anos, se continuar no mesmo ritmo de crescimento atual.
11º) Segundo o Unicef, no Brasil mais de 40 mil pessoas vivem diretamente da catação em lixões e mais de 30 mil vivem da catação nas ruas, como única opção de renda. A presença de crianças e adolescentes chega, em alguns casos, a representar 40% dos catadores.
O Novo Paradigma: Todo esse quadro de pobreza, poluição e degradação de recursos é um indicador da crise de esgotamento desse modelo de desenvolvimento dominante.
Os 65% da população, que são os quase-pobres, pobres e miseráveis, são também os que menos acesso têm à educação, o que impede que esta população se organize de forma adequada e inteligente no sentido de se auto-sustentar; não têm acesso a lugares habitáveis e não conseguem estabelecer trabalhos comunitários para o bem comum. Daí a necessidade de se reverter esta situação, o que exige, de imediato, a assimilação de novos paradigmas. A competição desenfreada, característica deste modelo econômico, já está se tornando obsoleta, sob o ponto de vista do novo paradigma. Doravante o paradigma é a cooperação eficiente e produtiva em todos os níveis, o que já vem ocorrendo há muito tempo dentro dos grandes cartéis. Neste ponto, os condomínios auto-sustentáveis (CAS) são o meio mais adequado para a construção coletiva da nova sociedade.
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